Acordo e reparo, o mundo é feito por apenas dois grupos, aqueles que se atrevem a sair da sua concha e aqueles que invejam e se colam na boleia. Cópias mal impressas, que tentam roubar, sugar toda a nossa cor a nossa criatividade e a transformar nos seus próprios troféus.
Quantas vezes eu não vos vi exibir a coroa de louros por terem roubado o meu sangue, os meus pensamentos, sugado a minha alma, a minha criatividade, exibindo e exigindo tal como se fosse vosso por direito.
Acabou! pois por entre sentimentos, revoltas, raivas, todo este veneno que injectaram no meu sangue, que não me matou apenas me tornou mais frio, mais inconsciente, mais ácido e vazio, talvez agora seja tão venenoso quanto esse veneno. Pois entre gritos, que ecoam na minha cabeça, gritos de todos estes egos que assombram cada recanto das minhas memórias, eu acabei por libertar da minha caixinha de Pandora, aquele que eu nunca quis mostrar, o mais negro, o mais frio, a hidra mais perigosa em mim.
Acabou a pena, acabou o rapaz simpático que engole cada segundo dos outros, acabou a minha paciência, não preciso disto para viver, felizmente sou feliz apenas com o ar que eu respiro e quero que o resto arda, mas entre karmas e palavras mal ditas eu não vou me sujeitar a mais nada, não sou eu que tenho que culpar ninguém, é a tua consciência.
Acabou simplesmente de morrer mais um pedaço, agora quero lá saber aguenta-te com este que vai renascer, pois ele não vai ser como o outro, vai ser mais negro que a noite e mais frio que gelo, coroaram-me com a coroa de gelo agora aguentem com ela.

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